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A avaliação da força muscular esquelética é essencial para compreender a função e disfunção muscular. Entre os métodos mais utilizados, o dinamômetro isocinético (IKD) é considerado o padrão-ouro, especialmente para mensuração da força dos membros inferiores.

No entanto, a praticidade de dispositivos portáteis, como o dinamômetro de mão (HHD), os torna atraentes para o uso clínico. Embora muitas pessoas às vezes receiem a confiabilidade de um HHD por ser um dispositivo manual, elas talvez não saibam que existem formas eficazes de estabilizá-lo, como com o uso de uma cinta de estabilização, é possível aumentar significativamente a precisão e segurança das medições.

Isso é especialmente verdadeiro em casos onde o paciente demonstra mais força que o avaliador, já que a estabilização do aparelho com a cinta reduz a necessidade de o avaliador resistir diretamente à força gerada pelo paciente, assegurando a precisão na medição.

Assim, surge a questão: o HHD consegue oferecer medições tão válidas e confiáveis quanto o IKD, especialmente sob condições de medição padronizadas? Para abordar essa questão, este blog post apresentará um estudo relevante que a explora e, adicionalmente, mostraremos fotos de como você pode avaliar seus pacientes utilizando o dinamômetro SP TECH com a cinta de fixação.

Objetivo principal do estudo

O objetivo principal deste estudo foi determinar a validade e a confiabilidade das medições de força muscular de extensão isométrica do joelho usando um dinamômetro de mão estabilizado por cinto (HHD). Para isso, os pesquisadores compararam essas medições com as obtidas usando um dinamômetro isocinético (IKD), considerado o método padrão e um indicador da validade de novos dispositivos.

Os pesquisadores realizaram a comparação com os participantes em uma postura sentada similar. Adicionalmente, essa postura mantinha a estabilidade do tronco, com as mãos no leito e o dedo do pé do lado não medido tocando o chão ou a mesa. Consequentemente, a hipótese dos autores era que, ao unificar a postura de medição sem fixar o tronco com cintas, eles eliminariam a influência da fixação do tronco sobre o valor da medição

Participantes

O estudo contou com a participação de 42 estudantes universitários. A amostra foi composta por 22 homens e 20 mulheres, com idades variando entre 19 e 22 anos para ambos os sexos.

Como foi realizada as medições de força com dinamômetro isométrico no estudo

Os pesquisadores realizaram as medições de força de extensão isométrica do joelho na perna direita dos participantes. Nesse contexto, fisioterapeutas atuaram como examinadores, conduzindo essas avaliações. Mais especificamente, um único examinador realizou as medições com o dinamômetro de mão (HHD), enquanto, para o dinamômetro isocinético (IKD), dois examinadores se encarregaram das medições. Adicionalmente, assistentes designados foram responsáveis por registrar todos os valores obtidos de ambos os equipamentos.

A postura de medição foi cuidadosamente padronizada e unificada para ambos os dinamômetros:

  • Postura sentada: Os participantes estavam sentados em macas do mesmo tipo.
  • Membros superiores: Foram posicionados sobre maca, apoiando o corpo para evitar quedas e manter a estabilidade do tronco.
  • Membro inferior de medição (direito): Foi mantido na horizontal com uma toalha inserida sob a coxa. A articulação do joelho estava em 90° de flexão e não tocava o chão.
  • Membro inferior não medido: O dedo do pé do lado não medido tocava o chão ou uma plataforma de mesa de 40 cm, contribuindo para a estabilidade do tronco.

Configuração específica dos equipamentos

  • HHD (Dinamômetro de Mão): O sensor do HHD foi preso com fita de Velcro na porção frontal distal da perna, com a extremidade inferior do sensor logo acima do maléolo. O pilar de apoio do leito e a perna de medição foram conectados usando um cinto de ancoragem. O sensor do HHD possuía uma almofada espessa, e o examinador segurava o sensor para manter sua orientação. Para comparar com o IKD, o valor do HHD foi calculado em torque (Nm) medindo a distância do espaço lateral da articulação do joelho até a altura da parte central do sensor.
  • IKD (Dinamômetro Isocinético): Foi utilizado um acessório de joelho, com o eixo do dinamômetro alinhado à linha traçada através do côndilo femoral lateral no plano sagital. O manguito da parte inferior da perna foi posicionado na parte frontal distal.

Procedimento de medição

  • Duas medições foram realizadas após uma orientação e uma prática de exercício.
  • O tempo de descanso entre as medições foi superior a 30 segundos.
  • Cada medição durou 5 segundos, com o objetivo de atingir e manter as contrações máximas em 3 segundos.
  • Os examinadores instruíram verbalmente os participantes a se esforçarem ao máximo durante o exercício.
  • O maior valor obtido durante as duas medições foi registrado e utilizado para análise.

Resultados

Os principais resultados do estudo demonstram a validade e a confiabilidade das medições de força de extensão isométrica do joelho com o HHD, especialmente em homens, sob as condições de postura padronizadas.

Confiabilidade Intra-examinador (ICC):

  • Para o HHD, o ICC foi de 0,94 (geral), 0,93 (homens) e 0,75 (mulheres).
  • Para o IKD, o ICC foi de 0,93 (geral), 0,88 (homens) e 0,83 (mulheres).
  • De acordo com os critérios de Landis e Koch (1977), um ICC entre 0,61 e 0,80 é considerado substancial, e entre 0,81 e 1,00 é quase perfeito. Portanto, a confiabilidade de ambas as medições foi substancial a quase perfeita.

Comparação entre HHD e IKD (Validade):

Nenhuma diferença significativa foi observada entre os valores de medição do HHD e do IKD.

Correlação entre HHD e IKD:

Foi encontrada uma correlação positiva significativa entre os valores de medição do HHD e do IKD para a amostra geral (ρ=0,78) e especificamente nos homens (ρ=0,71) (p<0,01).

Conclusão

Em conclusão, o estudo sugere que as medições de força de extensão do joelho utilizando o HHD estabilizado por cinto na postura sentada são altamente confiáveis e possuem validade relacionada ao critério (IKD) nos homens, demonstrando aceitável reprodutibilidade intra-examinador. O estudo destaca que, embora seja difícil comparar diretamente os valores de medição de HHD e IKD quando as posturas de medição são diferentes, unificar as condições de postura sentada permite uma comparação válida entre os dois equipamentos.

Como usar a cinta para estabilizar o seu SP TECH!

Avaliação de quadríceps/extensores de joelho: Colocar a cinta por volta dos pés da maca e posicionar o paciente perto do final da maca. É recomendado o uso de uma caneleira para não machucar a área avaliada, isso pode ocorrer devido a pressão exercida durante o teste.
Avaliação de isquiotibiais/flexores de joelho: Paciente deitado em decúbito ventral com uma das pernas a 45° de flexão. O avaliador passa a cinta por volta do seu próprio corpo para ancorar o dinamômetro.
Avaliação de abdutores de ombro: Paciente sentado (ou pode ser realizado em pé). A cinta é passada ao redor do seu próprio corpo.

Referências

HIRANO, Masahiro et al. Validity and reliability of isometric knee extension muscle strength measurements using a belt-stabilized hand-held dynamometer: a comparison with the measurement using an isokinetic dynamometer in a sitting posture. Journal of Physical Therapy Science, Chiba, v. 32, p. 120-124, 2020.

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